sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Conheça Melhor sua Bíblia


A Bíblia é um livro extraordinário. É o livro mais vendido de todos os tempos. Se não fosse por qualquer outro motivo, só esse já faria dela uma leitura obrigatória para todas as pessoas pensantes.

Ela teve uma influência marcante no desenvolvimento dos valores da nossa civilização ocidental, nas áreas da família (o ideal bíblico da aliança entre um homem e uma mulher proporciona um alicerce fortíssimo para qualquer sociedade – Jesus valorizou as mulheres e as crianças no mundo masculinizado de sua época), relações de trabalho (princípios bíblicos regem os relacionamentos entre patrões e empregados), questões raciais (a Bíblia descarta qualquer tipo de discriminação racial), crime (a punição de crimes é mais justa e misericordiosa), humanitarismo (Florence Nightingale, Madre Teresa, Pasteur, Albert Schweitzer, Cruz Vermelha, ACM, Visão Mundial, Exército da Salvação, hospitais, orfanatos, instituições de ensino), governo, instrução (a importância da palavra escrita – Harvard, Yale e Princeton) cultura – música, artes e literatura. E na vida espiritual dos povos ocidentais, ela teve papel preponderante estabelecendo padrões morais objetivos, transformando vidas.

Apesar de tudo isso, poucas são as pessoas que realmente podem afirmar que conhecem a Bíblia. Muitos de nós podemos dizer que conhecemos um pouco da Bíblia. Conhecemos algumas passagens mais clássicas. Quem nunca ouviu falar “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”? Ou “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”?

Muitos de nós já passamos anos sentados nos bancos da escola dominical, mas ainda conhecemos muito pouco o seu livro de texto. Tentamos ler algumas passagens aqui, outras ali, mas elas não parecem fazer muito sentido. Outras passagens parecem desnecessárias, até enfadonhas. Quem quer saber as genealogias de gente que morreu há tanto tempo? E por que isso seria considerado importante para a minha vida hoje?

O problema é que fazemos com a Bíblia o que não faríamos com nenhum outro livro que tivéssemos de estudar para aprender de fato. Pegamos um pedacinho aqui, outro ali, e então, quando não conseguimos apreender o sentido do que está sendo dito, jogamos a culpa no texto, não no nosso método. Se não entendermos um pouco melhor o que a Bíblia é, o que ela narra, será difícil tirarmos algum proveito do que lermos.

O que é a Bíblia?

A Bíblia é a revelação escrita de Deus acerca de sua vontade para os homens. Encontramos ali ordens específicas do Senhor para que sua mensagem fosse escrita a fim de servir de guia para pessoas de todos os tempos. Êxodo 34:27. À medida que for lendo seu texto e estudando sua mensagem, observe quantas vezes aparecem as palavras : Disse o Senhor, e a palavra do Senhor veio a..., também disse o Senhor, etc...Seu tema central é a reconciliação do homem com Deus mediante Jesus Cristo. Colossenses 1:20; 2 Coríntios 5:18-20. Deus quis se revelar aos homens através de pessoas a quem escolheu para servir de instrumentos seus. Jeremias 1: 1-9.

É um livro que tem falado a milhares de gerações de pessoas de todas as idades, de todas as culturas e de todos os tipos de interesse. O motivo é que, apesar de ter sido escrita por seres humanos, ela é divinamente inspirada. O pensamento é divino, a revelação é divina, mas a expressão da comunicação é humana. 2 Pedro 1:21.

A Bíblia é “uma história, um relato, a história de Deus. Por trás dos 10000 acontecimentos está Deus, o construtor da História, o autor dos séculos. Tendo a eternidade por limite de um lado e de outro, e o tempo no meio, Gênesis marcando seu início e Apocalipse o seu término, entre um e outro Deus está operando. Podemos descer aos mínimos detalhes em qualquer parte e ver que há um grande propósito desenvolvendo-se através dos tempos – o desígnio eterno do Deus Todo-poderoso de redimir um mundo destruído e arruinado.”[1]

Como a Bíblia foi escrita?

A Bíblia é uma coleção de livros, uma biblioteca em si. Contendo 66 livros escritos por 40 autores diferentes, ela abrange um período de aproximadamente 1600 anos. Ela está dividida em duas partes, chamadas de testamentos – o Antigo Testamento, com 39 livros e o Novo Testamento, com 27. A palavra original para testamento significa aliança ou pacto. No AT encontramos a aliança da lei. Foi dada uma lei que precisava ser obedecida para as pessoas serem aceitas diante de Deus. No NT, encontramos a aliança da graça, através de Jesus Cristo. A aceitação diante de Deus é através da obediência perfeita de Seu ünico Filho. A única coisa que as pessoas precisam fazer para se aproximar de Deus agora é aceitar Jesus como seu Salvador – nada mais. É um presente imerecido. Não depende de nada que possamos fazer, mas apenas da nossa fé em Jesus. Uma aliança conduziu à outra (Gálatas 3:17-21). A impossibilidade de cumprirmos a lei nos mostrou a extensão da nossa desobediência e a necessidade de alguém que o faça por nós. Jesus cumpriu perfeitamente a lei de Deus e através Dele, somos justificados diante de Deus.

Os autores bíblicos foram reis e príncipes, poetas e filósofos, profetas e estadistas. Alguns eram instruídos em todo o conhecimento de sua época enquanto outros eram pescadores sem cultura. Nem todos são identificados.

O AT foi escrito em hebraico, com alguns pequenos trechos em aramaico (ver Daniel 2:4b-7:28; Esdras 4:8-6:18; 7:12-26 e Jeremias 10:11).[2] Entretanto, a parte mais importante de como a Bíblia foi escrita está revelada em 2 Pedro 1:21: “homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. A palavra grega traduzida por inspirados significa literalmente “pelo sopro de Deus” (theopneustos). O Espírito Santo “moveu” homens, levando-os a escrever com as próprias palavras o que Deus desejava que dissessem.

Como sabemos que a Bíblia é verdadeira?

Evidência bibliográfica :

Nenhum escrito antigo apresenta tanta evidência documental quanto a Bíblia. Com exceção das 643 cópias da obra do Homero, os demais clássicos apresentam de 3 a 20 cópias de cada. Da Bíblia, existem quase 15000 cópias, 5000 manuscritos antigos do NT e 10000 manuscritos antigos ou partes de cópias do AT. Além disso, não apenas a quantidade de cópias é maior como também a qualidade das cópias ultrapassa a dos manuscritos literários seculares. Deve-se isso ao extremo cuidado dos judeus na tradução e na preservação dos manuscritos bíblicos.

Evidência interna :

A Bíblia não só declara ser a Palavra de Deus, mas também afirma que nem sequer uma letra pequenina ou um mero acento de letra da lei (AT) passará sem que tudo se cumpra (Mt.5:17-18). Mas podemos confiar no que ela diz a respeito de si mesma? Segundo um autor que debate com críticos da autenticidade da Bíblia, se uma testemunha é fiel em diversas coisas que afirma, podemos crer no que ela diz a seu próprio respeito.

Para mim, a maior comprovação da autenticidade da Bíblia é o fato de Jesus ter citado as Escrituras como sendo a Verdade: “Santifica-os na verdade; a tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Ele citou 22 livros do AT, e especificamente as passagens de que os críticos da Bíblia mais duvidam: a criação do homem e da mulher, o dilúvio, a mulher de Ló, o maná, a serpente de bronze e a história de Jonas.

Em Jesus, cumpriu-se um número impressionante das profecias a respeito do Messias. A probabilidade de que uma pessoa cumprisse apenas oito das principais profecias que Jesus cumpriu (Isaías 7:14, Mateus 1:18-25; Jeremias 23:5, Lucas 3:23-31; Miquéias 5:2, Lucas 2:11; Salmo 41:9, Mateus 26:21; Isaías 53:5, Mateus 27:26; Salmo 16:10, Mateus 28:5-6) é de 1 em 100 000 000 000 000 000.

Além das profecias referentes a Jesus, há outras relativas a outras pessoas e eventos que já se cumpriram. Por exemplo: O profeta Isaías, escrevendo em cerca de 700 A.C., prediz que um rei chamado Ciro ordenará a reconstrução de Jerusalém e o lançamento dos alicerces do templo (Isaías 44:28; 45:1). Quando Isaías escreveu isso, a cidade de Jerusalém era uma metrópole poderosa e o templo estava em pé no lugar onde fora construído. Só um pouco mais de cem anos depois é que a cidade e o templo seriam destruídos pelo rei Nabucodonozor, em 586 A.C. Assim, Isaías predisse que um rei chamado Ciro, que não deveria nascer ainda por cem anos, daria ordens para reconstruir um templo que ainda estava em pé naqueles dias e que não seria destruído por mais cem anos.[3]

A própria Bíblia dá o propósito das profecias: comprovar que Deus sabe todas as coisas e tem um plano que se cumprirá: Isaías 46:9-10; 48:3,5.

Durabilidade:

A Bíblia já sofreu as mais tremendas perseguições dentre todos os livros da história. Apesar disso, sempre foi preservada, muitas vezes com sacrifício da vida de alguns cristãos. Em 23 de fevereiro do ano 303, foi promulgado um decreto válido para todo o Império Romano, que ordenava a entrega de toda e qualquer parte das Escrituras que estivesse de posse de qualquer pessoa, a fim de que fosse queimada. A pena para a desobediência era a morte. É óbvio que nem mesmo o decreto do poderoso Imperador conseguiu seu intento, ou não teríamos a Bíblia em nossas mãos hoje.[4]

Poder:

Se considerarmos que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, e se pensarmos que, de tudo que Deus poderia ter dito a respeito de Si mesmo e de Seus planos para a humanidade, Ele escolheu dizer o que está escrito nesse livro, temos de reconhecer que tudo o que está registrado ali tem importância e poder. Até passagens aparentemente pouco reveladoras podem ser usadas por Deus para tocar o coração das pessoas.

O que a Bíblia revela sobre si mesma?

Ela é como um espelho. Tiago 1:22-25. O espelho não mente nunca. Se queremos saber com que cara estamos, o espelho nos dirá. A Bíblia nos revela a nossa condição espiritual, o que está fora de lugar, o que está sujo, o que precisa ser arrumado, o que precisa ser corrigido para termos uma vida espiritual atraente. 2 Timóteo 3:16-17.

Ela é como a água no sentido de saciar a nossa sede e nos purificar das impurezas espirituais. (João 15:3; Efésios 5:26). Como a Palavra nos purifica? Renovando a nossa mente com a Verdade. Romanos 12:2. Enquanto vivemos limitados pelos nossos sentidos, somos como o homem natural. 1 Coríntios 2:6-16. Mas a Palavra, ministrada pelo Espírito ao nosso coração nos ensina a respeito das coisas espirituais, que são a verdadeira realidade. Assim como a lavagem física remove as células mortas e a sujeira que se acumula em nosso corpo pelo processo de viver, a leitura da Palavra remove as coisas mortas da nossa vida, que tolhem o nosso crescimento e a energia de nossa vida espiritual e a sujeira que não deveria estar presente ali.

Ela é alimento que propicia o nosso crescimento espiritual, desde os primeiros momentos da vida cristã até à maturidade (1 Pedro 2:2; João 6:26-35; Hebreus 5:12-14). Jesus é o Pão da Vida – João 6:35,48, 54, 63b – Ele disse que quem não comer Sua carne não tem vida em si mesmo - João 6:53. Seu corpo é a encarnação do Verbo, da Palavra – logos. Logos: revelação de toda a sabedoria do universo. Quando tentado, Jesus falou que o pão físico traz vida física, mas o pão espiritual, que é a Palavra de Deus, é que traz vida espiritual – Mateus 4:4. Assim, comer o pão significa alimentar-se da Palavra. Sem uma alimentação contínua desse alimento, a vida espiritual será raquítica, sem energia.

Ela é como uma espada pois pode ser utilizada com arma de defesa e de ataque contra o inimigo. (Efésios 6:17; Hebreus 4:12). Você iria para uma batalha desarmado? Estamos envolvidos em uma batalha espiritual contínua em que nosso inimigo nos cerca qual leão faminto, procurando nos devorar. (1 Pedro 5:8) Jesus usou a Palavra de Deus como arma afiada para lutar contra as tentações de Satanás (Mateus 4:4, 7, 10).

Ela é luz pois lança claridade sobre a escuridão da vida, sobre as confusões, os conflitos, os perigos para nos manter no caminho certo. (2 Pedro 1 16-21 - Salmo 119:130,105) À medida que formos nos apropriamos da Palavra, vamos desenvolvendo um novo tipo de visão, enxergando a realidade natural com olhos que vêm o sobrenatural (Hebreus 11:27). É essa visão que sustenta a nossa fé e nos capacita a viver por um poder que excede as nossas forças. Foi assim que viveram Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e todos os outros heróis da fé.

Os problemas que muitas vezes encontramos ao tentar ler a Bíblia são os mesmos que encontramos ao assistir a um filme da metade para o fim ou então quando lemos um romance uma página aqui, outra ali.. Ficamos sem entender os acontecimentos que estamos presenciando ou vivendo. No entanto, a Bíblia narra a história de um grande romance e como toda história, tem de ter um começo, um meio e um fim. Ela tem um Autor que já escreveu o enredo, o início e final dessa história, e estamos todos inseridos, como participantes, nessa aventura de amor e redenção.

Como toda boa história, ela começa com ... Era uma vez, num reino distante, um rei bom e poderoso... e termina com “viveram felizes para sempre”, como você pode ler nos dois últimos capítulos do último livro da Bíblia, o Apocalipse. É por isso que todas as histórias que apaixonaram a raça humana até hoje seguem esse mesmo enredo (histórias infantis, os grandes épicos da história humana e mais recentemente as aventuras de Guerra nas Estrelas, O Senhor dos Anéis de Tolkien, As crônicas de Narmia de C.S. Lewis).

Essas histórias satisfazem um anseio que está no fundo do coração de todo ser humano – saber que sua vida aqui tem um propósito maior, que ele é parte imprescindível de algo grandioso que está ocorrendo exatamente de acordo com o plano perfeito de alguém maior do que ele. Essa certeza nos dá um senso de significado, pois podemos descansar e participar alegremente de algo que vai muito além da nossa capacidade. Só precisamos fazer aquilo que fomos capacitados a fazer e podemos deixar os resultados com o Autor da história. Em Sua Palavra, Deus declara Seu grande amor pelas pessoas que criou. Ele nos amou com todos os nossos defeitos. Seu amor é incondicional, não depende do que fazemos mas apenas de sermos quem somos. Saber que somos alvo de um amor que nada fizemos para merecer, e que, por conseguinte, nada do que façamos pode extinguir, satisfaz plenamente a nossa necessidade de sentir-nos amados e sacia nossa sede de segurança.

A narrativa bíblica contém dois “no princípio” porque narra eventos que ocorreram muito antes de os seres humanos passarem a fazer parte dessa história.

Na eternidade antes da Criação, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo existiam num relacionamento de amor, harmonia e perfeita união. Eles criaram os anjos para aumentar Sua alegria e felicidade. Entre esses anjos, um recebeu todas as honras e beleza e poder para assistir diretamente diante do trono de Deus – Lucifer. Mas esse anjo desejou mais do que o papel que lhe havia sido designado. Desejou o lugar do Autor. Por desejar usurpar o que não lhe pertencia, foi expulso do céu, juntamente com um terço dos exércitos celestiais, que se uniram a ele em sua rebelião.

Deus criou então os seres humanos, um pouco abaixo Dele mesmo, coroando-os de honra e de glória (Salmo 8:5), colocando tudo na criação sob seu domínio. E deu-lhes acima de tudo a liberdade de retribuir ao Seu amor ou rejeitá-lo. Por que Deus faria uma coisa dessas? A Ele não interessa o amor de um ser que não tem escolha. Ele quer um amor voluntário, expresso de todo o coração, de todas as forças, de todo o entendimento. Para conquistar esse amor de suas criaturas, Ele trava uma batalha pelos nossos corações. E a Bíblia narra a história desse grandioso épico, começando com a eternidade passada, passando pela história da raça humana aqui na terra e terminando com a eternidade futura, quando todas as coisas serão restauradas ao propósito maravilhoso de Deus para a Criação e para Seus filhos.

Assim, abramos as nossas Bíblias e caminhemos através de seus livros para entender a totalidade da história que eles contam.

A Bíblia é composta de 66 livros, 39 dos quais encontram-se na parte chamada de Antigo Testamento, e 27 na parte chamada de Novo Testamento.

  • Livros do Antigo Testamento:

    • 17 livros históricos,

    • 5 livros poéticos

    • 17 livros proféticos

  • Livros do Novo Testamento:

    • 4 Evangelhos

      • Mateus,

      • Marcos

      • Lucas

      • João

    • 1 livro histórico - Atos

    • 21 epístolas

      • 14 paulinas

      • 7 gerais

  • 1 livro proféticoApocalipse

  • Livros apócrifos -

Os livros históricos – Uma visão geral

Gênesis: É o livro dos princípios e o primeiro dos cinco livros da lei, chamados de Pentateuco ou Torá. Ele responde à questão: “Quem somos e de onde viemos.” Narra a criação do mundo e dos primeiros seres humanos, sua desobediência, a destruição quase total da raça humana, as primeiras famílias e o chamado de Abraão para dar início a um povo separado para abençoar todas as nações. A partir do capítulo 12, a história se concentra nessa família e conta a história dos patriarcas Abraão, Isaque, Jacó e José. O livro termina com a ida de Jacó e sua família para o Egito a fim de escapar da fome.

Êxodo: É o livro da redenção, Deus vindo em socorro do homem. Ele é uma revelação do caráter essencial do Deus que tem um propósito em tudo o que faz. A família de Jacó estava começando a se misturar com as nações vizinhas e assim Deus a levou ao Egito, povo que não se misturava com outras raças, onde ficou 400 anos. 70 pessoas subiram ao Egito e lá ficaram, sem se misturar, mas crescendo e se fortalecendo. No momento certo, Deus enviou Moisés, a quem preparou de forma especial para a tarefa de levar o povo, agora perto de 3 milhões de pessoas, de volta à terra que havia prometido a Abraão. Levou menos de duas semanas para Deus tirar o povo do Egito mas levaria 40 anos para tirar o Egito de dentro do povo. Por isso Deus o levou primeiro ao sul, ao Monte Sinai, onde deu as leis que deveriam reger a nova nação. Diversas vezes o povo se revoltou contra Moisés e contra Deus por não lhes estar dando aquilo que eles achavam que precisavam.

Levítico: Depois da construção do tabernáculo, Deus passa a habitar no meio do Seu povo. Ele dá as diversas leis a respeito de como o povo deveria aproximar-se Dele. O tema de Levítico é: Sejam santos porque Eu sou santo.

Números: É o livro da peregrinação pelo deserto. O povo, cercando o tabernáculo e guiado por Deus, começa a jornada rumo à terra prometida, chegando lá em pouco tempo. Moisés envia 12 espias para buscar informação sobre os habitantes e as fortificações. Depois de 40 dias, eles voltam com o relatório. A terra é boa e produz fartura, mas as cidades são fortificadas e habitadas por gigantes. Dois espias, Josué e Caleb, confiaram em Deus e insistiram em entrar na terra, mas o povo ouviu os outros dez e se recusou. Por causa de sua rebeldia e descrença, Deus ordenou que vagassem pelo deserto 40 anos, até a geração descrente que havia saído do Egito tivesse morrido no deserto. A princípio, o povo reclamava e se rebelava, mas aos poucos foi se arrependendo de sua rebeldia e começou a louvar a Deus e confiar na Sua provisão e no Seu poder. O livro termina com o povo novamente acampado às portas da terra prometida, 40 anos após a saída do Egito.

Deuteronômio: Moisés faz três discursos revisando a lei, para que ninguém pudesse alegar ignorância. A ênfase está na obediência aos preceitos de Deus. Ele deixa claro que o povo tem uma escolha: obedecer ou desobedecer. A obediênciia traz bênçãos, a desobediência traz maldição. O povo era livre para escolher se obedeceria ou não, mas não tinha liberdade para escolher as conseqüências de sua escolha. No final do livro, Moisés passa a liderança a Josué e morre em pleno vigor.

Josué: É o livro das conquistas. Deus determinou a herança de cada tribo, mas não lhes deu a terra de mão beijada. Cada uma teria de lutar pelo que lhe havia sido dado, mas nenhuma delas levou a conquista até o fim, permitindo que alguns povos permanecessem em seu meio. Por não terem tirado o mal do seu meio, o povo começou a se afastar de Deus e a se contaminar com outros deuses. Josué morre no final do livro.

Juízes: É a história dos diversos ciclos de desobediência do povo. Eles se prostituíam com outros deuses, eram dominados pelos povos que ainda habitavam na terra prometida, clamavam a Deus por misericórdia e Deus enviava um juiz que os livrava da opressão. É um relato deprimente de muitos fracassos e poucas vitórias. A tônica do livro de Juízes é: cada um fazia o que parecia bem aos seus próprios olhos.

Rute: Esta linda história da redenção de uma moabita por um israelita se deu durante o tempo dos juízes e termina com o casamento da moabita com o filho de Raabe, uma prostituta cananéia, e o nascimento do avô de Davi, Obede.

1 Samuel: Narra a história de Samuel, o último juiz que foi também um profeta de Deus. Ele governou Israel até que, envelhecido e sem ter sucessores, já que seus filhos não eram tementes a Deus, o povo pediu que nomeasse um rei sobre eles, para que fossem como todos os outros povos. Deus permitiu o que o povo pediu e ordenou a Samuel que ungisse Saul. Saul começou bem, mas logo se desviou, desobedecendo a Deus, mentindo a respeito da desobediência. Por isso, Deus avisou que não seria um filho seu que continuaria a reinar depois dele e ordenou a Samuel que ungisse a Davi como próximo rei. Enquanto Saul não morreu, Davi não assumiu o trono.

2 Samuel: Depois da morte de Saul, Davi foi coroado rei de duas tribos no sul. Somente depois de algum tempo é que ele foi declarado rei de todo Israel. Davi foi um homem segundo o coração de Deus, e o livro de 2 Samuel conta a história de seu reinado. Davi pecou, e pecou grandemente, mas, ao contrário de Saul, quando confrontado com seu erro, caiu em profundo arrependimento. Deus o perdoou e restaurou, mas ele teve de enfrentar as conseqüências do seu pecado. Houve sérios problemas familiares e problemas no reino, mas ele foi um homem excepcionalmente apaixonado por seu Deus. Organizou o culto no templo mas não pôde construí-lo, ficando isso a cargo de seu filho Salomão.

1 e 2 Reis: Os livros dos reis começam com a morte de Davi e a ascenção de seu filho Salomão, que continuou a grande obra de unificação do reino iniciada por seu pai. Durante seu reinado, Israel tornou-se um reino poderoso e respeitado. Com sua morte, seu filho Roboão subiu ao trono, mas, a essa altura, o povo já estava arrependido de haver pedido um rei. O custo da realeza era alto demais. Quando Roboão não quis baixar os impostos, houve uma revolta entre o povo e o reino se dividiu em dois, o reino do Norte, que ficou com o nome de Israel, e o reino do Sul, que ficou com o nome de Judá. Israel foi desobediente a Deus desde o início. Todos os seus reis “andaram nos caminhos de Jeroboão”, o rebelde fundador do reino do Norte, e foram igualmente rebeldes ao Senhor. Os dois livros alternam a narrativa das vidas dos reis de Israel e dos reis de Judá. Entre os descendentes de Davi, que governaram Judá, houve reis piedosos, que levaram o povo a obedecer a Deus, mas a maioria foi igualmente rebelde e desobediente. Deus enviou profetas, como Elias e Eliseu, para advertir o povo do norte, e depois de muitas advertências, mandou os assírios, um povo extremamente cruel, para conquistar Israel e levar cativo seu povo, espalhando-o por diversos lugares. Judá permaneceu mais tempo, por ter tido períodos de obediência a Deus. Por fim, Deus avisou que ele também seria levado cativo, mas apenas por um período de 70 anos, após o qual seria enviado de novo à sua terra.

1 e 2 Crônicas: Os livros das crônicas narram a história dos reis de Judá, os descendentes de Davi. Eles começam com a genealogia de Davi a partir de Adão e depois de dar um registro bem detalhado de todos os descendentes dos filhos de Jacó, narra a morte de Saul e, dali por diante, o reinado de todos os reis de Judá. O primeiro livro vai até a morte de Davi, e o segundo, de Salomão até a queda de Judá, seu cativeiro de setenta anos na Babilônia. O livro termina com o decreto de Ciro, rei da Pérsia, que nesse tempo já havia conquistado a Babilônia, permitindo que os judeus voltassem à sua terra natal.

Esdras e Neemias: Estes dois livros narram o retorno dos judeus do exílio de 70 anos para reconstruir o templo e as cidades que haviam sido destruídas e jaziam em ruínas. Esdras foi um escriba apaixonado pelas Escrituras e instruiu o povo a respeito da lei de Deus. Neemias voltou para reconstruir os muros de Jerusalém e governar o povo que ali habitava. Juntos eles ajudaram a restabelecer o povo judeu em sua terra e no culto a Deus. O cativeiro havia curado o povo da idolatria. Nunca mais a adoração de ídolos seria um problema para os judeus.

Ester: O livro de Ester, o único da Bíblia toda em que não há menção específica a Deus, narra uma história que se passou no tempo em que os judeus estavam no cativeiro. A Babilônia havia caído sob o poder dos persas e foi na corte do rei persa Assuero que a mocinha judia Hadassa, chamada pelo nome persa de Ester, foi usada como instrumento para o livramento de seu povo. Uma mulher de extraordinária fé e coragem. A história de Ester se encaixa no tempo de Esdras e Neemias.

Termina aqui a história do povo de Deus no Antigo Testamento.

Em seguida, estão inseridos os cinco livros chamados poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares, que foram escritos em diversos períodos da história de Israel

Os livros poéticos

Jó: O livro de Jó é considerado o mais antigo dos escritos sagrados hebraicos. Jó foi um homem que viveu no tempo dos patriarcas e teve sua vida marcada por tremendos sofrimentos. Ele levanta o problema das provações na vida do justo, mas não o explica nem dá as respostas que a maioria das pessoas tem a esse respeito. Nos primeiros trinta e sete capítulos, Jó e seus amigos tentam explicar o inexplicável. A partir do capítulo 38 Deus começa a responder, colocando Jó no seu lugar de criatura e mostrando que ele não tem capacidade para questionar o que Deus faz. Jó se humilha no pó e na cinza e declara o poder de Deus sobre toda a criação numa das mais belas e fortes afirmações de quem Deus é – Jó 42:1-6. A grande pergunta do livro de Jó não é: “Por quê?” mas “Quem está no controle de tudo?”

Salmos: O livro de Salmos é um dos mais conhecidos da Bíblia. É um livro de poesias e cantos compostos para louvar a Deus, ensinar, profetizar, bem como para expressar todo tipo de sentimento e frustração humana. Não há quem não se identifique profundamente com algum salmo. Eles nos servem de consolo, alegria, e louvor a Deus. Davi, o mavioso cantor de Israel, foi o autor da maioria dos salmos.

Provérbios: O próximo livro é uma coletânea de ensinos práticos sobre a vida. Escrito quase em sua totalidade por Salomão, o homem mais sábio que já viveu, ele focaliza a sabedoria de seguir os caminhos de Deus e a insensatez de seguir nossos próprios caminhos.

Eclesiastes: Este é outro livro escrito por Salomão, mas mostra a futilidade das coisas materiais, da busca pela sabedoria humana, concluindo com a afirmação de que só em Deus encontramos propósito e redenção.

Cantares: É um hino de exaltação do amor humano, falando graficamente do romance e dos prazeres que Deus nos reserva através da união de dois cônjuges. Foi considerado por muitos anos como apenas uma metáfora do amor divino, mas os detalhes do livro mostram a sabedoria de viver o amor humano pelos padrões divinos.

Os livros proféticos

Os próximos 17 livros são os chamados proféticos. Eles foram escritos no tempo dos reis e depois no tempo do exílio, e são advertências do Senhor sobre as conseqüências da desobediência e da teimosia do povo. Cada um desses livros tem uma mensagem especial de Deus. Nunca o povo a quem foi dirigido poderá alegar ignorância sobre o que iria acontecer como resultado de sua desobediência. Sua mensagem de repreensão e esperança foi ouvida por muito poucos. Os livros proféticos são divididos em Maiores e Menores, não pela importância da mensagem, mas pela extensão do seu conteúdo.

Profetas Maiores:

Isaías: É considerado o evangelho do Antigo Testamento. Ele contém algumas das mais belas mensagens de amor e de esperança da parte de Deus para com Seu povo desobediente. Isaías foi enviado por Deus para advertir o povo do reino do Sul sobre as conseqüências que teriam de sofrer por se afastarem dos caminhos do Senhor. Suas profecias são incontestáveis, e falam da vinda de Jesus em termos bem claros, seu nascimento virginal, sua vida como servo e sua morte na cruz por todos os seres humanos.

Jeremias: Um profeta escolhido por Deus desde o ventre materno para levar uma mensagem contundente de arrependimento ao povo desobediente do reino do Sul. Jeremias usou diversas ilustrações gráficas para mostrar o que aconteceria se o povo não se voltasse para Deus. Foi preso, jogado no fundo de uma cisterna, diversas vezes quase perdeu a vida. Viveu para ver o cumprimento das profecias que anunciou – a queda de Jerusalém, o templo queimado e destruído, o exílio do povo para a Babilônia. Ele escolheu ficar na terra com os mais pobres e acabou sendo levado por rebeldes para o Egito, onde provavelmente morreu.

Lamentações de Jeremias: É um livro que verte lágrimas da agonia e da tristeza que Jeremias sofreu ao ver cumpridas as profecias que Deus o mandou anunciar. Contém uma das mais belas expressões bíblicas de esperança no capítulo 3, de 22 a 33.

Ezequiel: Foi um dos profetas que ministrou ao povo no exílio babilônico. Ele viveu com os mais humildes num acampamento junto ao rio, onde os exilados foram alojados. A tônica de sua profecia é : Saberão que Eu sou o Senhor. O povo não pode alegar ignorância. Deus se revelou claramente e fez saber o que esperava dele. Entretanto, o povo continuou dando ouvido a outras vozes e crendo nelas mais do que no que disse o Senhor. Essa era a fonte do seu problema. O livro de Ezequiel apresenta visões espantosas e inúmeras parábolas. Deus não poupou nenhum esforço para mostrar o que queria que o povo entendesse.

Daniel: Daniel foi contemporâneo de Jeremias e Ezequiel. Ele era parte da elite de Israel, um príncipe jovem e muito bem instruído, fiel a Deus, mas sofreu com o povo desobediente o castigo do exílio. Enquanto Ezequiel profetizava junto aos exilados mais humildes, Daniel foi levado ao palácio do rei e escolhido para servir em cargos de alto poder na corte babilônica. Sua fidelidade a Deus foi provada inúmeras vezes mas ele se mostrou obediente e humilde. Neste livro temos belíssimas declarações e demonstrações do poder e da soberania de Deus sobre todos os seres humanos e sobre todos os eventos que governam os destinos da humanidade. Daniel profetizou sobre o final dos tempos e parte de suas profecias ainda estão por se cumprir.

Os profetas menores

Oséias: Oséias é o primeiro dos profetas menores. Vale lembrar que “menor” tem relação com a extensão da mensagem escrita e não ao seu valor. Sua mensagem foi dirigida ao reino do Norte, sempre infiel e desobediente a Deus desde a separação dos dois reinos. Este profeta recebeu ordens de Deus de viver uma ilustração do amor de Deus por Seu povo. Deus lhe ordenou que se casasse com uma prostituta que, depois de viver com ele e lhe dar três filhos resolveu voltar à vida antiga. Como o povo de Israel, a mulher de Oséias representava a infidelidade para com Aquele que a salvara da vida de pecado e lhe provera todos os meios para uma vida feliz e fiel. Deus ordena a Oséias que volte em busca da esposa infiel e a traga de novo para casa depois de ter sido abandonada por seus amantes e vendida como escrava.

Joel: Ministrou ao reino do Sul. Ele identificou ousadamente os pecados do povo e conclamou-o ao arrependimento.

Amós: Era um criador de ovelhas que foi chamado para sair de usa terra no reino do Sul para profetizar ao reino do Norte, Israel. Ele fala repetidamente do juízo de Deus e do exílio que os israelitas sofreriam nas mãos cruéis dos assírios.

Obadias: Este profeta foi enviado ao reino do Sul mas também falou a Edom, seu vizinho. O cerne da mensagem de Obadias é o de que, embora Deus use os povos gentios para castigar Israel, eles não ficarão impunes e pagarão por sua crueldade contra o povo de Deus.

Jonas: O profeta Jonas foi chamado por Deus para pregar o arrependimento à cidade de Nínive, capital da Assíria. Ele fugiu da sua missão, foi lançado ao mar e engolido por um grande peixe, em cujo ventre permaneceu três dias. Depois disso, foi “vomitado” na praia e teve de cumprir o que Deus lhe havia dito, embora o fizesse com má vontade. Mesmo assim, Deus usou a sua pregação para trazer um grande arrependimento aos ninivitas, que, por algum tempo, foram poupados do castigo que lhes havia sido reservado. Jonas é conhecido como “o profeta relutante”.

Miquéias: Profetizou ao reino do Sul e foi contemporâneo de Isaías no reino do Sul e de Amós e Oséias no reino do Norte. Miquéias profetizou contra a corrupção ética e social de seu povo, anunciando o desastre iminente, que seria enviado pelo Senhor. Ele convocou o povo ao arrependimento sincero, não apenas de fachada. É neste livro que se encontra a profecia sobre o local onde Jesus nasceria : 5:2.

Naum: Pregou uma mensagem de consolo ao povo de Judá, falando da destruição que sobreviria de seus cruéis opressores assírios. É um forte testemunho do poder e da fidelidade de Deus, que destruirá os malfeitores e é leal para com seu povo.

Habacuque: Este livro é uma mensagem de esperança em meio aos desastres inevitáveis da vida – 3:17-19. Habacuque foi um homem que teve dúvidas sinceras, que passou por provações e aprendeu a esperar em Deus.

Sofonias: Ele proclamou sua mensagem de arrependimento durante um dos reinados finais e mais corruptos de todos os reis de Judá. O tema iminente do livro é a chegada do “dia do Senhor”, ou seja, o dia do julgamento.

Ageu: Profetizou ao povo que retornava do exílio, exortando-o a permanecer firme no seu propósito de reconstrução da cidade de Jerusalém e do templo. Ele ofereceu esperança para o futuro. Em sua breve mensagem, a expressão “diz o Senhor” aparece vinte e cinco vezes.

Zacarias: Foi o outro profeta do tempo da volta do exílio. Ele ministrou aos moradores de Jerusalém num tempo de desânimo com as dificuldades de se restabelecerem na terra destruída.

Malaquias: Foi um profeta que dirigiu sua mensagem ao povo pós-exílio. Os judeus havia se estabelecido de novo em sua terra, reconstruído os muros da cidade de Jerusalém e o templo, mas encontrava-se em estado de apatia espiritual. Seu culto era formal, sem real dedicação. Malaquias enfatizou as bênçãos da obediência a Deus.

Depois de Malaquias ocorreram 400 anos de silêncio, quando Deus não enviou nenhum profeta ou nenhum recado através de quem quer que fosse. O que Ele tinha de dizer já havia sido dito, ampla e claramente. Nesse meio de tempo, Ele preparava o mundo para a vinda do Messias. Reinos se sucederam, um conquistando o outro, até chegar a vez de Roma que, com a construção de estradas que ligaram todo o mundo daquela época e a pax romana, o governo da lei e da ordem imposto pelas milícias romanas a todos os povos conquistados, propiciou todos os eventos que já haviam sido preditos para a vinda do Filho de Deus ao mundo.

Estava tudo preparado para a continuação do plano – o nascimento de Jesus, Filho de Deus, na plenitude dos tempos, para cumprir o propósito do Pai, oferecendo sua própria vida em resgate dos amados de Deus. Jesus foi precedido pelo profeta João Batista, que veio preparar o caminho para a chegada do Filho de Deus a este mundo.

Aqui tem início, então, o Novo Testamento, ou a nova aliança de Deus, agora com um povo espiritual, que aceitou a sua dádiva de reconciliação. Esse novo Israel é composto de judeus e gentios, sem distinção alguma. Nós, hoje, somos parte desse novo Israel.

Novo Testamento

Os quatro primeiros livros do Novo Testamento contam a vida de Jesus, cada um para um tipo de leitor. Depois da morte e ascenção de Jesus, o livro de Atos dos Apóstolos conta a história dos primórdios da igreja cristã e de como ela foi estabelecida. Em seguida, encontramos uma série de cartas escritas pelos apóstolos às igrejas que eles haviam fundado, a fim de confirmá-las na doutrina sadia do evangelho e animar os crentes a permanecerem firmes na luta que enfrentariam por amor do evangelho. O último livro do Novo Testamento é um livro de profecias sobre acontecimentos que ainda não se concretizaram. Apocalipse encerra o cânon bíblico.

Mateus: Este evangelho foi escrito para provar aos judeus que Jesus era a concretização de todas as profecias do Antigo Testamento. Ele cita mais profecias do que os outros evangelistas e apresenta Jesus como o rei dos judeus, o descendente legítimo de Davi.

Marcos: Escreveu para os novos cristãos gentios e principalmente os cristãos romanos e apresenta Jesus como o servo do Senhor.

Lucas: Escreveu para os cristãos gregos uma narrativa detalhada dos acontecimentos para fortalecer a sua fé. Ele apresenta Jesus como o Filho do Homem ideal, que se identificava com os sofrimentos e o dilema da humanidade pecadora a fim de levar sobre si as nossas dores e realizar a obra da salvação.

João: Escreveu seu evangelho para os judeus, encorajando-os a confessarem a Jesus como o Cristo. Ele apresenta Jesus como o singular Filho de Deus. Seu propósito está revelado em João 20:31.

Atos dos Apóstolos: É o livro que narra as lutas e os problemas enfrentados nos primórdios do cristianismo. Os dois grandes nomes desse livro são os dos apóstolos Pedro e Paulo, mas a verdadeira força por trás de tudo o que ele narra é o poder do Espírito Santo. Com as perseguições que a igreja primitiva sofreu, ela se espalhou por diversos pontos do Império Romano. O Apóstolo Paulo foi incumbido de levar a mensagem cristã aos gentios. Ele fundou diversas igrejas, às quais depois escreveu cartas de ensino e doutrina. Foi escrito por Lucas, o médico amado, para complementar o que ele já havia escrito no seu evangelho.

Carta de Paulo aos Romanos: É um tratado completo e minucioso da fé cristã. Paulo escreveu aos cristãos de Roma, cuja igreja havia sido fundada por judeus e gentios que ouviram a mensagem de Pedro em Pentecoste e achou necessário que eles tivessem uma explicação bem fundamentada das bases de sua fé. O tema principal de Romanos é a justificação pela fé.

Primeira e Segunda carta de Paulo aos Coríntios: O apóstolo recebeu um relatório sobre os problemas que a igreja de Corinto enfrentava e escreveu suas cartas falando a respeito de cada um deles, instruindo a igreja em suas bases da fé e da vida cristã. A primeira carta é mais de repreensão por fatos inaceitáveis que ocorriam dentro da igreja, a segunda é mais de consolo para aqueles que haviam sido repreendidos e, arrependidos, queriam mudar de vida.

Carta de Paulo aos Gálatas: Paulo escreveu aos gálatas para esclarecer alguns pontos doutrinários, especialmente o da justificação pela fé, dos quais a igreja já estava se desviando, advertindo a respeito dos perigos do legalismo em que a igreja estava se envolvendo. É a carta da liberdade.

Carta de Paulo aos Efésios: Nesta epístola, o apóstolo enfatiza os recursos espirituais de que os crentes se tornaram depositários a fim de poderem viver de maneira diferente, pelo poder de Cristo. Ele mostra claramente que só quando vivemos “em Cristo” poderemos nos revestir do novo homem e viver de forma diferente, que agrada a Deus e nos abençoa. É a carta da nova vida em Cristo.

Carta de Paulo aos Filipenses: Paulo fala repetidamente na alegria que é fruto do Espírito Santo. Ele aponta o esvaziamente do Senhor Jesus para exercer a missão de servo e que o leva à glorificação. Diz que para ele o viver é Cristo. Esta é uma carta pessoal, a carta da alegria.

Carta de Paulo aos Colossenses: A igreja de Colosso estava sendo infiltrada por heresias e Paulo escreve esta carta para refutar alguns desvios da sã doutrina. Nela, ele incentiva os colossenses a permanecerem firmes no que lhes foi ensinado, praticando o que aprenderam em seu viver diário e crescendo na fé.

Primeira e segunda cartas de Paulo aos Tessalonicenses: Paulo escreveu à igreja de Tessalônica para afirmar as doutrinas que havia ensinado ao fundar essa igreja e para corrigir assuntos referentes à vida futura que perturbavam aqueles novos cristãos. A ênfase das duas epístolas é no final dos tempos, na ressurreição dos mortos, na segunda vinda de Cristo.

Primeira e segunda cartas de Paulo a Timóteo: São chamadas de epístolas pastorais, nas quais o pastor mais velho aconselha o mais jovem, seu filho na fé, sobre questões de pastoreio das igrejas. Paulo autoriza Timóteo a liderar com firmeza e bondade as igrejas que lhe foram confiadas, e a exercer sua autoridade para o bem dos seus liderados.

Carta de Paulo a Tito: Paulo escreveu esta carta para dar a Tito, seu colaborador gentio, autorização e orientação no que diz respeito à doutrina, governo e vida piedosa da igreja. É outra epístola pastoral.

Carta de Paulo a Filemon: É uma carta pessoal a um amigo e colaborador a respeito de uma questão prática da vida cristã.

Carta aos Hebreus: Embora muitos considerem Paulo como autor desta carta, não há provas definitivas a respeito. Ela apresenta a suficiência e a superioridade do ministério de Cristo e exorta os crentes a permanecerem fiéis e a amadurecerem na fé. É nesta carta que encontramos o rol de honra dos heróis da fé – capítulo 11.

Carta de Tiago: Ela oferece palavras de encorajamento aos cristãos que, sob perseguição, haviam fugido para outros lugares e que estariam encontrando sérias dificuldades práticas para viver sua fé entre descrentes.

Primeira e segunda cartas de Pedro: Pedro escreveu para ensinar os cristãos a viverem em tempos difíceis, já que acirrada perseguição contra eles estaria sendo brevemente desencadeada pelo governo romano. Ele cita Cristo como exemplo para todos os cristãos diante de situações de injustiça e maus tratos, desenvolvendo também ensinos sólidos sobre os tempos finais.

Primeira, segunda e terceira cartas de João: João escreveu aos cristãos para fortalecer sua fé. A primeira carta fala sobre crescimento na santificação através da confissão dos pecados e da purificação oferecida por Deus mediante o sacrifício de Jesus. É um tratado do amor de Deus. Na segunda carta, ele adverte os cristãos contra receber heréticos em suas casas e na terceira, sua preocupação novamente é o amor.

Carta de Judas: A ênfase da carta de Judas é a salvação. Foi escrita para cristãos aparentemente sendo confundidos por heresias.

Apocalipse: O último livro da Bíblia é um livro profético que fala dos tempos futuros. Foi escrito pelo apóstolo João. Ele conclui a história humana iniciada no jardim do Éden. Além das profecias sobre os acontecimentos dos últimos dias, quando o maligno será derrotado e aniquilado para sempre, ele termina com a imagem do novo céu e da nova terra, onde não haverá pranto, nem tristeza, nem morte, e onde a presença de Deus iluminará a cidade santa e todos os salvos viverão a vida que foi planejada para eles desde antes da fundação do mundo.

Além desses 66 livros, há uma série de livros chamados de apócrifos por não constarem do cânon hebraico. Eles são aceitos pela igreja católica como livros inspirativos, se não totalmente inspirados, mas por isso mesmo não são incluídos na Bíblia pelos cristãos protestantes.

A Bíblia traz a narrativa completa, embora não detalhada, da história humana. Do primeiro ao último livro, ela revela tudo que precisamos saber para viver a vida que Deus planejou para nós e que o sacrifício de Jesus hoje nos possibilita viver como novas criaturas. O Espírito Santo que habita em nossos corações nos relembra de tudo que aprendemos e nos ensina o que precisamos saber quando a situação parece confusa. Jesus disse que veio para que tenhamos vida, e vida abundante, cheia de paz e alegria no meio de qualquer circunstância.

Se não conhecermos o Deus que a Bíblia revela, nossa fé permanecerá pequena e definhará por falta de uso, impedindo-nos de gozar todas as riquezas da nossa herança como filhos e filhas de nosso Pai, o Deus todo-poderoso, Senhor de todas as coisas. A escolha é nossa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Adoração Verdadeira

"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." - João 4:23,24


Quando pensamos em adoração a Deus, geralmente imaginamos algo que emana de nós a fim de expressarmos louvor às qualidades de Deus. Seja na música, serviço, oração ou outra forma de expressarmos adoração, pensamos que louvor é próprio de nós. A pergunta é: A adoração verdadeira é produzida pelo homem e dada, com os devidos merecimentos, ao único Deus vivo e verdadeiro? Será essa a verdadeira adoração que Deus deseja receber do homem?

O Que Significa a Palavra "Adoração"?

O dicionário Aurélio define adoração como culto a uma divindade; culto, reverência e veneração. O mesmo dicionário define o verbo adorar como render culto a (divindade); reverenciar, venerar (Dicionário Aurélio Eletrónico). As palavras que definem adoração, no Velho Testamento, significam ajoelhar-se, prostrar-se (#7812, Strongs), como em Êxodo 20:5. As palavras que definem adoração, no Novo Testamento, significam beijar a mão de alguém, para mostrar reverência; ajoelhar ou prostrar-se para mostrar culto ou submissão, respeito ou súplica (#4352, Strongs), como em Mateus 4:10 e João 4:24. Adoração então é uma atitude de extremo respeito, inclusive ao divino, que se expressa com ações singulares de reverência e culto.

Qual é a Base da Definição da Adoração Verdadeira?

Seria um engano severo achar que toda e qualquer expressão verdadeira de adoração é oriunda do homem. Do homem não pode emanar a verdade pura. O homem possui um coração enganoso e uma mente limitada (Jeremias 17:9; Isaías 55:8,9). Essas duas coisas geram um erro que não é percebido facilmente pelo homem, especialmente quando a maioria ao seu redor está envolvida no erro (II Timóteo 4:3,4). Não é sabedoria colocar base de sustentação naquilo que é enganoso e limitado. Devemos usar o que é firme e eterno. Se essa sustentação não vem do homem, tem que vir do que não é contaminado pelo homem. Somente a Bíblia, por ser dada pela inspiração do Espírito Santo, é a base firme para estipular o que é a adoração verdadeira. Se a Bíblia por escrito for a base; ela será a base "mui firme" (II Pedro 1:19; Hebreus 4:12). Se as Escrituras Sagradas forem a nossa única regra de fé e prática, então tudo o que não concorda com elas será julgado como falso (Isaías 8:20). Não é válido estipular uma parte exclusiva da Palavra de Deus para a nossa sustentação do que é adoração verdadeira, pois "Toda a Escritura é inspirada e proveitosa" (II Timóteo 3:16; Romanos 15:4). Por ser a Bíblia completamente dada por Deus, é ela que define para nós o que é a adoração verdadeira.

As Naturezas Distintas da Verdade e do Amor

Existe verdade e a natureza dela é única, exclusiva e eliminatória. A verdade proclama: "À lei e ao testemunho! Se estes não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles." (Isaías 8:20). A doutrina repreende, exorta, corrije, instrui, reprova com o intuito de que haja aperfeiçoamento e obediência "boa" (II Timóteo 3:16,17; 4:2-6). O ensinamento pela Palavra de Deus pode dividir (Hebreus 4:12, "mais penetrante que espada alguma de dois gumes"; Mateus 10:34; Atos 14:1-4). Por ser a Bíblia entendimento verdadeiro, aquele que retém as Suas palavras odiará todo falso caminho (Salmos 119:104,128). Se pretendemos agradar a Deus, temos que separar-nos dos que não andam segundo a verdade (ou na igreja - Romanos 16:17; I Coríntios 5:11; II Tessalonicenses 3:6, 14 ou no mundo - II Coríntios 6:14-18; I Timóteo 6:3-5). Deus pergunta ao Seu povo: "Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3:3). O apóstolo Paulo indaga à igreja de Deus em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia, "que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos?" (II Coríntios 6:14-16). As respostas são claras, pois a verdade é única, exclusiva e eliminatória.

Todavia, o amor, por natureza, é inclusivo. O amor (#26, ágape: afeição e benevolência, Strong’s) é sofredor, não se irrita, nem suspeita mal. Este amor bíblico sofre e suporta tudo (I Coríntios 13:4-7) e cobre uma multidão de pecados (I Pedro 4:8). A natureza desse amor "ágape" dá valor àquele que não o merece. Quando esse amor for ativo (#25, agapão, amor num senso moral e social, Strong’s) a misericórdia reinará (Romanos 9:25; Efésios 2:4). Podemos observar esse amor (#25) em ação: Deus amou a Cristo (João 17:24) e o mundo (João 3:16), Jesus amou os Seus discípulos (João 13:1; 15:9; Gálatas 2:20; Apocalipse 1:5), os discípulos devem amar os outros discípulos (João 13:34; I João 3:11-14; 4:7), os esposos devem amar as suas esposas (Efésios 5:25,28; Colossenses 3:19) e nós devemos amar o nosso próximo e inimigo (Mateus 5:43,44; Romanos 13:8,9).

O servo que anda na verdade não precisa desistir de amar de jeito nenhum. Mas há diferença entre o amor e a participação do erro. O amor equilibrado andará junto da verdade, nunca em oposição a ela (João 14:15). O amor verdadeiro leva-nos a cuidar de todos os que estão no erro para que eles odeiem o seu erro (Judas 1:22,23;I Coríntios 5:5; II Coríntios 6:14-18; Hebreus 1:9; 12:5). O Apóstolo Paulo tinha amor pelo povo de Israel e este íntimo amor desejou que eles andassem segundo a verdade (Romanos 10:1; 11:14). Deus, o Amor verdadeiro, levou nos à Verdade (Cristo) para nossa salvação do pecado (Efésios 2:4-7). Para podermos entrar no Amor (Cristo), nosso erro tem que ser deixado de lado (arrependimento). Agora, para andarmos em santidade, por amor a Deus, somos constrangidos à obediência (II Coríntios 5:14), a suportar um ao outro (Efésios 4:2) e a deixar o erro (II Coríntios 5:14; 6:14-18). O andar em obediência tornou-se o nosso culto racional em amor (Romanos 12:1). O amor (#26, ágape), mesmo inclusivo, é equilibrado pela verdade que é exclusiva. Somente existe crescimento quando o amor é acoplado com a verdade (Filipenses 1:9; Efésios 4:15,16; II Pedro 1:5-7) pois o amor é o "vinculo da perfeição" (Colossenses 3:14) e leva às boas obras (Hebreus 10:24). O amor verdadeiro não se isenta da fé, da justiça, da perseverança, da piedade, da santificação, da obediência ou do poder espiritual, mas é aperfeiçoado neles (I Timóteo 1:5; 2:15; 4:12; 6:11; II Timóteo 1:7; 2:22; 3:10; Tito 2:2; I João 2:5; 4:18; III João 1:6). Pelo amor aceitamos todas as pessoas como elas são, e, pelo mesmo amor, encorajamo-las a andarem na luz pela verdade. Nisso entendemos que o amor não é inimigo da verdade nem a verdade do amor.

A Adoração Falsa Existe

1. Existe adoração sem santidade, mas não é adoração verdadeira. Nos últimos dias, como nos dias passados, falsos profetas virão (Mateus 24:24; II Timóteo 3:1-8). Os falsos adoradores têm somente uma aparência de piedade (II Timóteo 3:5), mas, na realidade, negam a eficácia dela. Olhando além da aparência, as vidas públicas e íntimas dos falsos adoradores revelam uma atração maior e dominante para os deleites do mundo do que para agradar ao Santo Deus (II Timóteo 3:4). Eles carregam a Bíblia junto com eles, estudam-na (II Timóteo 3:7), mas eles não conhecem a obra do Espírito Santo nas suas vidas (João 14:26; 15:26), que leva ao conhecimento e à verdade (II Timóteo 3:7) a ponto de seguir a verdade dos apóstolos (II Timóteo 3:10). Estes falsos adoradores querem somente as coisas aprazíveis (Isaías 30:10), as fábulas (II Timóteo 4:3,4) e freqüentemente apregoam tradições de homens como se fossem mandamentos de Deus (Marcos 7:7-9). São réprobos quanto àquela fé uma vez dada aos santos (II Timóteo 3:8; Judas 1:3,4). Resumindo, se o seu conhecimento da Palavra de Deus não o leva a ter uma vida nova, que zela pela santidade, e uma santidade que influi tanto a vida pública, quanto íntima, você ainda não está adorando a Deus em espírito e em verdade. Se o fruto do Espírito Santo não está evidente na sua obediência à doutrina (II Timóteo 3:10), você está exercitando-se em adoração falsa. A adoração na forma correta leva à substância da verdade e ao aperfeiçoamento real (II Timóteo 3:16,17). Os que querem adorar em espírito e em verdade devem afastar-se daqueles que não têm a eficácia da piedade (II Timóteo 3:5).

2. Existe adoração com os lábios, mas não com o coração. Tal adoração é falsa. Essa adoração pode ter uma aparência impecável, como se o povo estivesse chegando a Deus e assentando-se diante dele, como sendo o povo verdadeiro de Deus, ouvindo as palavras de Deus, mas por fim, seus corações seguem o pecado (Isaías 29:13; Ezequiel 33:31; Mateus 6:7; 7:21-23; 15:8; Atos 8:21). Isso é nada mais ou nada menos que uma adoração falsa. Em Isaías 1:2-18, o povo de Israel tinha holocaustos abundantes (v.11-13), com uma aparente aproximação de Deus (v. 12). Eles praticavam oblações e reuniões solenes (v.13), orações constantes e o levantar das mãos (v.15), mas, em tudo disso, não tinha um reconhecimento da grandeza de Deus nos seus corações, nem uma obediência em amor (v.15, "porque as vossas mãos estão cheias de sangue"). Toda essa adoração, que o povo aceitou largamente, era vista por Deus como iniqüidade, vaidade, abominação, cansaço e maldade (v. 13-16). Para revelar que aquela adoração não era adoração aceitável diante de Deus, Ele escondeu os Seus olhos deles (v.15). A adoração ocupou todos os lábios do povo mas o coração deles estava longe de Deus. Não há adoração verdadeira se não tiver obediência de um coração singular e temente a Deus (Jeremias 9:23,24). Tudo isso é uma lição para nós (Romanos 15:4). Verifique a sua adoração. Está mais nos lábios para com os homens do que no coração para com Deus? Pode ser que os falsos adoradores andem religiosamente com uma multidão bonita, mas tal adoração, para com Deus, é uma iniqüidade, cansaço, vaidade e uma maldade. Quem é que você quer agradar? Se quiser andar entre os adoradores verdadeiros, peça que Deus sonde o seu coração e o instrua no caminho eterno, Cristo no coração (Salmos 139:1,23,24; Provérbios 23:26; Isaías 1:16-18). Somente aquela adoração que vem de um coração sincero, preparado pelo Espírito e estabelecido na verdade, é a adoração aceitável ao Senhor Deus e praticada no céu (Josué 24:14; João 4:24; Apocalipse 4:9-11).

3. Existe adoração com a letra da lei, mas não com o espírito da lei. Zelar pelas regras, mesmo as mais rígidas e absurdas, em vez de inteirar-se com um espírito da adoração, parece ser fácil. Isso acontece entre os religiosos, com uma adoração falsa, e, até entre os que têm a forma correta de doutrina. A igreja em Éfeso, que era uma igreja com doutrina verdadeira, não foi corrigida por zelar pela doutrina, mas por não incluir o espírito da adoração na sua doutrina. Deixaram o seu primeiro amor (Apocalipse 2:1-7). Se aconteceu com aquela igreja naquela época, pode acontecer entre nós hoje. Os Fariseus eram religiosos que faziam tudo pela lei com a esperança sincera de deixar Deus o mais alegre possível. Socialmente eram bem aceitos. Religiosamente também. A cerimônia da sua adoração era exatamente conforme a lei que Deus estipulava, mas, mesmo assim, era uma adoração falsa. Por quê? Porque deixavam o espírito da lei desfeito (Mateus 23:23). Na cerimônia (Mateus 23:1-12), pela letra da lei, muitas vezes em adoração, faziam "prolongadas orações" (v.14), evangelismo fervoroso (v.15), um dízimo sério (v.23) e vidas corretíssimas (v.25). Todavia, com todo o esforço expedido na sua adoração, o espírito da lei foi contrariado. Deus, a Quem deviam praticar essas ações, julgou-os hipócritas (v.14), condutores cegos (v.16), insensatos (v.17), serpentes, raça de víboras (v.34), condenadores (v.35) e enganadores que invertiam valores (v.19-22). Tais palavras de descrição, revelam o grau de falsidade: quanto ao zelo e à letra da lei, esta não era adoração verdadeira. A maior evidência da sua falsidade foi quando a própria pessoa da Verdade presenciou os que adoravam por meio da letra da lei, vindo a zangar-se. No fim da história, crucificaram a Verdade, que cumpriu toda parte da lei (João 8:46), para que pudessem continuar em adoração pela letra da lei (Mateus 26:57-68; 27:1). Não podemos classificar como adoração verdadeira aquela que dê primazia à letra da lei, ao abandono do espírito da lei. Que tenhamos a adoração verdadeira que é correta tanto em espírito quanto em verdade (João 4:24)!

4.Existe adoração com ignorância da verdade de Cristo e é tida como adoração falsa. Jesus, na sua conversa com a mulher Samaritana, chegou a dizer-lhe que os Samaritanos adoram o que não sabem (João 4:1-24, v.22). A instrução de Cristo é: se não esteja adorando, em espírito e em verdade, a pessoa de Cristo, não está adorando ao agrado do Pai (João 4:24). Os Samaritanos eram Judeus também, mas uns Judeus que tinham linhagem e doutrina consideradas poluídas pelos Judeus de Jerusalém (João 4:9, Zondervan Bible Dictionary, p. 747). Sendo Judeus, não eram sem conhecimento intelectual do Messias, mas eram ignorantes de Cristo por não O aceitarem como o Messias, igual aos Judeus em geral. A sua adoração abrangia fatos e cerimônias, mas não tinha o alvo correto: a pessoa de Cristo. Era sem a verdade de Cristo e, portanto, a sua atividade religiosa era uma adoração ignorante (João 4:22,23). Jesus disse que os Fariseus erraram na mesma maneira, pois os seus ensinamentos exteriorizavam uma ignorância tremenda da verdade de Cristo como o Filho de Deus (Mateus 22:29, "Errais, não conhecendo as Escrituras"). Por não ser uma adoração baseada somente na verdade de Cristo, todo o aparato religioso dos Fariseus era classificado por Jesus Cristo como errado. O Apóstolo Paulo notou também a existência de adoração com ignorância entre outros povos. Em Atenas, capital da mitologia, não faltava adoração. A adoração dos Atenienses tinha forma, deidades, sacrifícios, tradição, lógica e antigüidade. Todavia, pela inspiração do Espírito Santo, tudo isso não era uma adoração mas uma superstição (Atos 17:22,23) por ser dirigida "AO Deus DESCONHECIDO". Foi uma adoração falsa e supersticiosa por ser falha com a verdade da pessoa e obra de Cristo. Destes exemplos podemos aprender: Se a adoração não está correta tocante à verdade de Cristo, é adoração falsa. O eunuco de Etiópia atravessou países em busca da adoração (Atos 8:27). Não obstante toda sua sinceridade e esforço, ele não entendeu o tema das Escrituras: o Cristo Jesus (Atos 8:30,31). Portanto, enquanto ignorante de Cristo, não pode adorar a Deus verdadeiramente. Cristo é a Verdade Única (João 14:6, "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim."). Foi Ele, por Deus, que foi estabelecido como "sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor" (I Coríntios 1:30,31). Qualquer adoração que não é centrada somente em Cristo, como Ele é apresentado pelas Escrituras, é uma adoração falsa. O Apóstolo João confirmou que a Sua pregação, e toda a sua adoração resultante, era verdadeira por ser exclusivamente centrada na pessoa e obra de Cristo (I João 1:1-4). O Apóstolo Paulo apelou para a autenticidade da Sua pregação e, conseqüentemente, a sua adoração, mostrando que ela era somente de Cristo, "segundo as Escrituras" (I Coríntios 2:1-5; 15:3,4). O Apóstolo Pedro substanciou a sua pregação, e a sua adoração juntamente, como sendo verdadeira por ser aquela que foi exclusivamente de Cristo. A sua mensagem foi testemunhada por Cristo, pelo Pai e pelas Escrituras (II Pedro 1:16-21). Se conhecemos Cristo pela obra de Deus, pelas Escrituras, e obedecemos à Palavra de Deus para o agrado do Pai, estamos adorando o Pai como convém, "em espírito e em verdade". De qualquer outra maneira a nossa atividade de adoração é vista por Deus, como ignorância, e portanto, falsa. Como vai a sua adoração? É centrada somente na pessoa e obra de Cristo? Deus não dá um prêmio pela adoração que é oferecida com ignorância. Jesus ensinou que devemos ser humildes como uma criança para entrarmos no reino dos céus (Mateus 18:1-4). Não deve ser interpretado que humildade é ser sem conhecimento da pessoa e obra de Cristo. O oposto é a verdade. A humildade que Cristo ensinou significa não confiar mais em outra coisa do que em Cristo, mesmo que a sociedade, tradição, ou a lógica assim diga. Ser humilde como uma criança é confiar somente em Cristo como o Salvador. Já O conhece pela fé, uma fé que se revela arrependimento dos pecados e confiança unicamente na pessoa e obra de Cristo? Somente assim a sua adoração seria verdadeira.

5. Existe adoração com sacrifício aceitável ao homem, que não é em obediência à Palavra de Deus, e, portanto, não é adoração verdadeira. O Rei Saul foi instruído detalhadamente para destruir completamente os Amalequitas. Todos os homens, as mulheres, as crianças e os animais deviam ser destruídos. Nada deveria ser perdoado. O Rei Saul foi à cidade e feriu-a mas tomou o Rei Agague, rei dos Amalequitas, vivo, como também o melhor das ovelhas e das vacas, e também as da segunda ordem. Quando Samuel encontrou-se com o Rei Saul, terminada a guerra, Samuel perguntou-lhe se a palavra do Senhor foi obedecida. O Rei Saul disse que sim. Mas o balido de ovelhas e o mugido das vacas veio aos ouvidos de Samuel. Saul explicou que estas foram poupadas para serem oferecidas ao SENHOR, em Gilgal. Samuel explicou que essa é uma adoração falsa, pois obedecer ao que Deus diz é melhor que qualquer sacrifício que o homem possa pensar. O atender a voz do SENHOR é melhor que a gordura dos carneiros ou qualquer outra oferta que o homem possa dar (I Samuel 15:3, 8-9, 14, 21-22). É interessante notar que as ações do Rei Saul tinham o aval do grande público. Todo o povo estava contente por ter o estômago cheio, e, também por ter agora as riquezas dos Amalequitas. O fato de humilhar ao rei pagão foi muito gratificante. Todavia, apesar do grau de aceitação humana da ação do Saul pelo povo, não foi em nada uma adoração aceitável ao SENHOR. Apenas a obediência restrita à Palavra de Deus é adoração verdadeira. Seria melhor se o Rei Saul obedecesse exatamente à Palavra de Deus. Pela obediência explícita à Palavra de Deus, manifestamos a nossa confiança em Deus. Tal confiança é tida por Deus como adoração aceitável, pois, pela fé que é vista em obediência, Deus é santificado diante do povo. Por Moisés não subjugar a sua carne diante do povo de Deus no deserto e por não reter a sua reação de ira ao bater a rocha, que foi uma manifestação de falta de fé, Deus não foi santificado diante do povo (Números 20:7-13). Em vez de ser uma adoração, para Deus foi uma indignação (Deuteronômio 1:37). Por essa falta de obediência explícita, Moisés foi proibido de introduzir o povo de Israel na terra prometida (Deuteronômio 32:51). Seria bem melhor obedecer e fazer o que era correto a seus olhos. O povo de Deus, em outra ocasião, movido pelo temor de Deus, obedeceu com rigor à Palavra de Deus ao ficar silencioso quando marchou ao redor de Jericó (Josué 6:8-11). O obedecer, sem dúvida, parecia estranho, tanto para povo de Deus que marchava, quanto para o povo de Jericó, que observava a marcha silencioso. Mesmo que essa marcha não fosse um culto de louvor, Deus aceitou a obediência como uma manifestação de confiança Nele foi mostrado o Seu Poder com uma grande vitória. Foi melhor obedecer a Deus, que inventar astúcias que agradariam ao homem por pouco tempo. Em Isaías 58:2-5, o povo inventou sacrifícios que pareciam retos diante dos seus olhos, mas não eram aceitos por Deus. A igreja de Sardes (Apocalipse 3:1) também tinha atividades que lhe agradaram, mas, para Deus, era uma igreja morta. Há muitos que chamam o SENHOR de Senhor e fazem muita coisa boa, mas, para Deus, não vale nada (Mateus 7:21-23). Estes casos de Rei Saul diante dos Amalequitas, de Moisés às águas de Meribá, do jejum falso de Israel, dos religiosos reprovados por Jesus e da igreja em Sardes nos ensinam o que é adoração aceitável. Esse ensino é: Quando obedecemos a Ele, em vez de fazer o que nós pensamos, é melhor estarmos dando a Deus o sacrifício que Lhe agrada. É a obediência que exalta Cristo na qual o Pai é glorificado. (Mateus 5:16). Este é o sacrifício vivo (Romanos 12:1) que a Deus é devido (I Pedro 2:5). Fazer justiça e juízo é melhor do que sacrifício (Provérbios 21:3; Salmos 69:31), mesmo que não seja o mais fácil. Vamos então perseverar explicitamente na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão, e nas orações (Atos 2:41,42). A Deus é dada toda a glória. Ele recebe toda a glória pela obediência correta da Palavra de Deus (João 4:24).

6. Existe adoração com intenção pura mas não vale como adoração verdadeira. Jesus explicou que viria um tempo em "que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus" (João 16:2). Este tempo veio acontecer não muitos anos depois. Encontramos Saulo de Tarso, zelosamente perseguindo a igreja (Atos 9:1,2; 22:1-5). Em toda essa perseguição à igreja, ele se julgava irrepreensível segundo a sua religião, a Lei de Moisés (Filipenses 3:4-6). Sem dúvida nenhuma ele tinha as melhores intenções para com Deus quando procurava a destruição do ajuntamento dos crentes. Todavia, não obstante a sua intenção pura e a sua devoção a Deus, era uma adoração falsa. Depois da sua conversão ele entendeu as coisas bem melhor. Essa intenção pura que antes julgava "ganho", depois do seu encontro com a Verdade, ele julgou "perda" (Filipenses 3:7). Com o seu entendimento entendendo a Verdade, ele julgou vãos os que têm "zelo de Deus, mas não com entendimento" (Romanos 10:1-3). Nisso entendemos que existe adoração que é movida somente pela intenção pura. Tal adoração não é necessariamente uma adoração verdadeira. Tal adoração não é com entendimento (Romanos 10:2). Tais adoradores não conhecem nem o Pai, nem Jesus Cristo (João 16:3) e, portanto, não é adoração, segundo a verdade. O homem pode honestamente desprezar Deus e o Seu Cristo e ainda perder a sua alma. Convém adorar o Senhor Deus por Jesus Cristo. Isso é adorar "em espírito e em verdade" (João 4:24). Os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Asera (I Reis 18:19) eram sinceros na sua adoração aos seus deuses. Eles achavam que serviam um deus pessoal, que podia ouvir e responder-lhes. Isso poderia ser dito de todos os que vivem nas tradições vãs que recebem de seus pais (I Pedro 1:18). Estes profetas de Baal entraram de corpo e alma na sua adoração (I Reis 18:26-29). Todavia, com todo os seus sacrifícios, e sinceridade, intenção e boa fé, a sua adoração era completamente falsa, sem nenhum vestígio de adoração verdadeira. Eles pagaram caro pelo seu erro (I Reis 18:40). Não depende da sua intenção a indicação da veracidade da sua adoração. A intenção pura do homem, mesmo quando é dirigida a Deus, não faz que o seu coração enganoso não seja perverso (Jeremias 17:9; Mateus 15:19). Quando o Rei Davi quis trazer de volta a arca da promessa, ele tinha intenções puras. Ele e todo o povo de Deus estavam empenhados em fazer o que achavam correto segundo Deus. Tinham a intenção de levar a arca da terra dos inimigos sujos e pagãos à terra de Deus. Eram empolgados com intenções que eles consideravam santas e puras, mas não fizeram de maneira correta. Eles não acharam errado misturarem a sabedoria humana no meio da adoração à Deus. Eles pensavam que tudo isso seria aceitável e agradável a Deus. Porém, mesmo com intenções puras na sua adoração, Deus ministrou morte entre eles (II Samuel 6:1-8). Isso não foi um caso isolado, pois vemos que com os religiosos citados em Mateus 7:15-23 aconteceu a mesma maneira. Na adoração verdadeira, a intenção do homem não é o que vale mais. É a obediência da Palavra de Deus em amor. Não deixe a sua boa intenção enganar você. Deus quer que o adoremos pela obediência de Jesus Cristo para a nossa redenção e, pelo Espírito Santo obedecer à Palavra de Deus. Não precisamos ser ignorantes nesse assunto, pois Deus já nos revelou como Ele quer ser adorado: "em espírito e em verdade" (João 4:24).

Nenhum destes seis exemplos, apesar da sua aceitação por parte do povo, foram aceitos por Deus. Eram abomináveis e desobedientes. A adoração falsa é repreendida por Deus, e, às vezes, até à morte. Agora estamos informados de que aquilo que nós queremos naturalmente dar ao Senhor pode ser uma abominação para Ele.

Em verdade, a adoração verdadeira não é aquilo produzido pelo homem, é dado, com os devidos merecimentos, ao único Deus vivo e verdadeiro. O que é produzido pelo homem é contaminado pela natureza do homem, pelo pecado, e pela mente limitada do homem.

A Adoração Verdadeira Existe - João 4:23,24

Parte I - "Em Espírito"

É muito claro que Deus o procura no assunto de adoração. Deseja Deus ser adorado por aquilo produzido por Ele. Isso seria uma adoração em "espírito e em verdade". O que cria confusão entre os que querem adorar O SENHOR é tanto a teoria quanto a prática, de adorar em espírito. Podemos entender melhor este assunto, se entendêssemos o próprio espírito do homem.

O Espírito do Homem Natural e a Adoração Verdadeira

O homem natural (I Coríntios 2:14; 15:46), o primeiro Adão (I Coríntios 15:45); ou seja, o pecador não salvo, não pode adorar o Senhor verdadeiramente. Ele é morto espiritualmente. Quando Deus falou a Adão e a Eva, no Jardim do Éden, "certamente morrereis" (Gênesis 2:17), se comerem do fruto proibido, eles morreram para com Deus, que é uma morte espiritual (Gênesis 3:6; Efésios 2:1; I Coríntios 2:14). Agora o filho natural de Adão é morto para com as coisas de Deus. Portanto, diante de Deus, o pecador é filho da desobediência (Efésios 2:2), inimigo de Deus (Romanos 8:7) e separado de Deus (Isaías 59:1,2). Por causa do seu estado espiritual, o pecador não tem entendimento espiritual (I Coríntios 2:14). Não há nada que vem naturalmente do espírito do pecador que pode agradar a Deus (Jeremias 13:23; Romanos 8:8; João 3:3-6; 15:5). O primeiro Adão é apenas um ser terreno, uma alma vivente, mas sem um espírito vivificado para com Deus (I Coríntios 15:45-47). Ele vive segundo a sua natureza pecaminosa, o que a Bíblia determina "o homem velho" que se corrompe pelas concupiscências, ou os desejos carnais (Efésios 4:22; I João 2:16; Romanos 6:6). Isso quer dizer que aquilo que o homem natural faz segundo o seu coração enganoso (Jeremias 17:9) é para satisfazer suas concupiscências, e por elas, é corrompido. Mesmo na esfera de religião o homem natural não agrada a Deus, pois não habita bem algum na carne (Romanos 7:18).

O homem natural, que é um descrente, pode vestir-se com religião e moralizar suas ações diante dos homens, mas, mesmo assim, não ser vivo para com Deus, ou não ser espiritual, não agrada Deus de nenhuma maneira (Mateus 7:21-23; Lucas 6:46; 11:39-44; João 4:22; Atos 17:22-24).

O Espírito do Homem Novo e a Adoração Verdadeira

O homem espiritual (I Coríntios 2:15) é feito espírito vivificado através da obra do último Adão (I Coríntios 15:45). O último Adão é do céu e é espírito vivificante (I Coríntios 15:45-47). O pecador arrependido e crente em Cristo pela fé, é feito um homem novo e espiritual. Este homem novo pode adorar o Senhor em espírito verdadeiramente. Por ser uma nova criatura, este homem novo é adotado na família de Deus, feito filho de Deus (Gálatas 4:5; I João 3:1,2) amigo (João 15:15) e deixa de estar separado de Deus (Efésios 2:14). Este novo homem está com entendimento espiritual (I Coríntios 2:15), é espiritualmente vivo (João 3:6; 10:28; Efésios 2:1) e não peca (I João 5:18). Todas essas bênçãos espirituais nos lugares celestiais estão confirmadas por Jesus Cristo (Efésios 1:3; João 3:16). O Espírito de Deus habita no corpo desse homem que foi feito novo (I Coríntios 6:19; II Coríntios 6:17) e faz com que ele seja agradável a Deus por Jesus Cristo (Efésios 1:6). O cristão, que é vivificado espiritualmente, é chamado um novo homem (Efésios 4:24) e tem um homem interior (Romanos 7:22). Esse novo homem é criado por Deus em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4:24; Colossenses 3:10). É assim que os cristãos podem adorar a Deus corretamente "em espírito".

O pecador regenerado no seu espírito tem prazer na lei de Deus (Romanos 7:22) e anseia ser obediente a Deus, pois é feito conforme a imagem de Cristo que foi obediente em tudo (Romanos 8:29; João 17:4; Filipenses 2:8). Esta nova criatura é evidenciada pelos desejos santos e ações de obediência. Pela nova natureza feita por Deus, através de Jesus Cristo pelo Espírito Santo, os frutos da santidade serão vistos (Gálatas 5:22,23; Efésios 4:24). Os frutos desta santidade são separação de tudo o que é imundo (Salmos 97:10; 119:104; Provérbios 8:13) para viver em obediência à Palavra de Deus (Efésios 2:8-10). A adoração verdadeira consiste em uma vida separada do mundo e uma crescente obediência à Palavra de Deus.

Resumo: A adoração "em espírito" é muito mais que um cântico bem cantado, ou uma aparência de santidade, uma concordância de observar uma lista de regras para a vida, ou um sentimento de bem estar. A adoração "em espírito" é um estilo de vida para com Deus, que deseja ser conforme o Seu Filho. Esse estilo de vida espiritual resulta em uma apresentação dos nossos corpos em sacrifício vivo para expressar pública e continuamente uma vida santa e agradável a Deus (Romanos 12:1,2; Gálatas 2:20).

Estás com o principal de uma vida espiritual, o Cristo? Somente com Ele seremos agradáveis a Deus. Somente por Ele temos o espírito vivificado pelo qual Deus deseja ser adorado.

Como o Cristão Adora "Em Espírito"

Por ter o cristão um espírito vivificado e ainda ter o pecado nos seus membros da carne, há conflitos. Uma natureza deseja os prazeres da carne e batalha contra a outra que vive segundo a justiça e santidade (Romanos 7:23,24; Gálatas 5:17). Tentações vêm ao crente através da sua carne (I Coríntios 10:13; Tiago 1:13-15). A vitória sobre essas tentações é por Jesus Cristo pelo espírito vivificado (Romanos 7:25; I João 4:4). O crente é justificado eternamente por Jesus Cristo (João 3:16; 10:28,29; Hebreus 9:12, "eterna redenção"), mas vive confessando seus pecados para ser purificado no seu viver no mundo (I João 1:9; Provérbios 4:18).

Só o que é produzido do alto é aceito por Deus, pois o que o homem natural produz é sujo. Para podermos adorar a Deus verdadeiramente, tem que ser "em espírito", pois é este que é movido e feito por Deus no crente. Só aquele que é separado do mundo, é obediente à Palavra de Deus. A adoração, que é baseada nas emoções da carne, e movida pelas maneiras e métodos extra-bíblicos (os métodos inventados pelos homens que não são apoiados pela Bíblia, mas não se opõem aos princípios da Bíblia) ou anti-bíblicos (os métodos inventados pelo homem que são contrários aos princípios da Bíblia), mesmo que sejam dirigidos a Deus, é uma adoração vã e não aceita por Deus, pois não foi produzida por Ele. O que Deus aceita é feito por Ele e é evidenciado pela santidade, silêncio, temor e por uma obediência crescente (Salmos 97:10; Habacuque 2:20; Mateus 7:21; Romanos 8:27; Filipenses 1:6; 2:13).

O homem que cultiva uma sensibilidade ao temor de Deus nos seus pensamentos, na fala, na vestimenta, no estudar, no trabalhar e no adorar e é levado a obedecer a Palavra de Deus onde quer que seja, no lar, na sociedade ou na igreja, esse é o homem que adora Deus "em espírito".

A adoração que agrada a Deus não é produto dos esforços do homem natural mas é fruto do Seu Espírito que está no homem novo. Isso é o que significa "adorar em espírito".

Parte II – "Em Verdade"

O que é a Adoração "Em Verdade"?

Mesmo que este estudo sobre a adoração verdadeira seja dividido em dois pontos ("em espírito" e "em verdade") devemos entender que não existe um sem o outro. Importa a Deus que os que O adoram O adorem tanto "em espírito" quanto "em verdade" (João 4:24). Se procuramos adorar o Senhor em só um ponto, estamos adorando incorretamente. Mas estes dois pontos podem, para maior clareza, ser estudados separadamente.

Não Existe Adoração Verdadeira sem a Verdade

O homem sempre precisa de um equilíbrio. Por ter o homem cristão as duas naturezas, (uma pecaminosa e uma santa, Gálatas 5:17), a influência que a natureza pecaminosa pode exercer no crente precisa ser sempre lembrada. Por esta razão existem tantos versículos na Bíblia sobre a necessidade do cristão ser vigilante e sóbrio (I Tessalonicenses 5:6; I Pedro 5:8) despertado do sono (Romanos 13:11-14) e ser espiritual (Mateus 26:41; Gálatas 5:16,17,24-26; Efésios 5:14-21). Também, por ter um inimigo astuto, cheio de ardis ( Gênesis 3:1; II Coríntios 2:10,11; Apocalipse 12:9) incansável ( I Pedro 5:8) que arma lutas espirituais contra nós (Efésios 6:11) precisamos de um alicerce forte, o qual possa nos restabelecer nos conflitos espirituais.

A Palavra de Deus é o equilíbrio em que o cristão precisa. Ela é a verdade que santifica (João 17:17), é mui firme, e, portanto, devemos ser atentos a ela (II Pedro 1:19). As Escrituras Sagradas foram dadas pela inspiração do Espírito Santo e não produzidas por vontade de homem algum (II Pedro 1:20,21) e, por isso, nos preparam perfeitamente para toda a boa obra, inclusive a adoração (II Timóteo 3:17). A Palavra de Deus é viva e, portanto, eficaz em todas as épocas e para todos os povos a fim de dirigi-los ao que agrada à Deus (Hebreus 4:12). O equilíbrio de que o cristão precisa no meio da mentira e engano sagaz que opera ao redor dele (Hebreus 12:1; Efésios 6:12) é a Palavra de Deus (Salmos 119:105). Ela é o que nos aperfeiçoa para a defesa (Efésios 6:13-17), a resistência (I Pedro 5:9) contra todas as astutas ciladas do diabo e de todo o engano dos nossos próprios corações (Salmos 119:130; II Timóteo 3:16,17). É pela verdade que os espíritos são provados (I João 4:3; I Timóteo 4:1) e não pelos pensamentos manipuláveis ou emoções enganadoras da natureza humana. De fato, a Bíblia é a única regra de fé e ordem para o crente e isso vale também para o assunto de adoração. Não há adoração verdadeira quando a Palavra de Deus não é cuidadosamente obedecida, tanto na sua letra quanto no seu espírito.

A Palavra de Deus leva o cristão à imagem de Cristo para poder adorar "em verdade". O cristão que adora "em verdade" conforma-se com Cristo, pois Cristo é a própria Verdade (João 14:6). O que Deus produz por Seu Espírito traz a lembrança, tudo o que Cristo ensinou (João 14:26) e que verdadeiramente testifica Cristo (João 15:26). O Espírito do Senhor, pela Palavra de Deus, transforma-nos, de pouco em pouco, EM imagem de Cristo (II Coríntios 3:18). A adoração verdadeira nunca pode agir contrária aos ensinamentos de Cristo ou exemplificar outra vida se não a de Cristo. A adoração verdadeira deve ser "em verdade", e Cristo é a verdade. Tudo que agrada a Deus deve ser em conformidade com Seu Filho, pois pelo Filho o Pai é comprazido (Mateus 3:17; 17:5). Quando mais em conformidade à imagem de Cristo, mais perfeita é a nossa adoração. Deus não procura invenções sinceras ou espertas com que o homem qualquer possa se empolgar em manifestar, mas Ele se compraz em Cristo (Mateus 17:4,5). Deus não se contenta nem um pouco com aquela adoração que é movida pelo raciocínio de homens bem intencionados, mas isentos da verdade (João 18:10,11). Deus somente se contenta com aquela adoração que bebe fundo em obediência ao cálice que Ele dá. Deus não é agradado em nenhuma maneira pela compaixão humana que não é dirigida pela verdade da Palavra de Deus. Deus se agrada naquilo que nos torna iguais a Cristo, naquilo que entenda as coisas que são de Deus (Mateus 16:21-23; I Coríntios 2:16). Cristo é o alvo e o meio de toda a adoração verdadeira. Você está se tornando mais e mais a imagem de Cristo? Somente assim se pode prestar adoração verdadeira.

Não há Espiritualidade sem Obediência

Excluir a obediência à Palavra de Deus ou não ser conforme a imagem de Cristo seria uma abominação para Deus a Quem queremos adorar (Lucas 6:46). Substituir as Escrituras Sagradas por algo diferente também é abominação (Marcos 7:7; Tito 1:14). Há uma multiplicidade de atrativos para afastar o cristão de uma adoração verdadeira. Há fábulas ou genealogias intermináveis (I Timóteo 1:4; 4:7) ofertas vãs, incenso, observação de luas novas e sábados (Isaías 1:13,14). Mas tudo isso tende a adicionar algo à Palavra de Deus, em vez de seguir a sua pureza (Provérbios 30:5). Não devemos procurar melhorar a verdade (Deuteronômio 12:32; Apocalipse 22:18,19) mas devemos apenas observá-la. Uma atenção sensível, um estudo constante, a meditação contínua em conjunto com uma obediência temente à verdade, a Palavra de Deus é essencial para adoração verdadeira. Não podemos separar a adoração espiritual da adoração prática (obediência). O próprio Espírito Santo é chamado o Espírito da verdade (João 14:17; 15:26; 16:13) que nos aponta a Cristo que perfeito e espiritual mostrou a Sua espiritualidade pela Sua obediência (Filipenses 2:8; João 14:11). É certo que podemos ser menos espirituais que o próprio Cristo, mas de nenhum modo podemos ser tão espirituais a ponto de tornarmos a minuciosa obediência à verdade uma desnecessidade.

A Obediência Verdadeira é Espiritual

Deve ser enfatizado que podemos ter obediência sem espiritualidade. Os que crucificaram Cristo cumpriram a Palavra de Deus completamente, mas, mesmo sendo obedientes, não operam com desejo de adorar o Senhor por amor (Atos 2:21-23; 4:27,28). Demônios crêem na verdade, mas não adoram o Senhor segundo a operação do Espírito Santo (Tiago 2:19). Os Fariseus obedeceram à lei a risco, mas não entraram no reino de Deus (Mateus 5:20). Se vamos servir ao Senhor, a obediência deve ser segundo o Espírito em amor (Oséias 6:6; Miquéias 6:8; Apocalipse 2:4,5).

Deve ser lembrado que podemos ter intenção sem uma obediência completa. Pedro tinha intenção pura, tanto quando cortou a orelha direita do Malco (João 18:10) como quando repreendeu o Senhor Jesus Cristo quando Este predisse Sua morte (Mateus 16:21-23). A igreja em Tiratira tinha muito amor, mas era displicente com a obediência e isso trouxe uma dura repreensão do Senhor (Apocalipse 2:18-23). Se vamos servir o Senhor, o nosso amor deve ser com obediência. Não caia no que parece gostoso à carne, mesmo à carne religiosa. Seja ativo no que agrada Deus e será aceito pelo Mesmo (João 15:1-11).

Pelo estudo feito podemos entender bem melhor que o que Deus deseja é a adoração "em espírito e em verdade", é algo que nunca é produzido pelo homem, mas que vem somente de Deus. É produzida pelo Espírito de Deus e é segundo a Sua Palavra, para trazer os seus à imagem de Cristo (II Coríntios 3:18).

("Calvin Gardner")

Estudo sobre consagração

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Romanos 12.1

Após termos nascido de novo, existe ainda muita coisa para Deus operar em nossa vida, e existe também muita coisa que nós podemos fazer para Deus. Mas para isso é preciso uma total entrega da nossa vida para Ele. Precisamos permitir que Ele faça o Seu trabalho em nós, precisamos permitir que Ele nos use e nos guie no decorrer da estrada que se estende à nossa frente. Tudo isso requer consagração da nossa vida. Isto inclui a nossa permissão para que Ele trabalhe em nós, para que Ele nos use e nos dirija em nossos caminhos.

Se quisermos encher um frasco com medicamentos, o processo é extremamente fácil. Seguramos o frasco e introduzimos lá os medicamentos. Mas os que são pais sabem que quando queremos dar algum medicamento a uma criança, temos pela frente uma tarefa difícil. Por vezes temos que exortar, pedir, distrair, prometer alguma recompensa à criança. Se tudo isso não resultar, temos de chamar o irmão mais velho, colocar a criança na cama e todos precisam ajudar a segurar a criança enquanto ela ingere o medicamento.

Meus irmãos, Deus não nos trata como neste exemplo. Quando não queremos que Ele faça o Seu trabalho em nós, Deus espera. Ele é extremamente paciente. Deus espera o nosso consentimento. A nossa consagração é o nosso consentimento.

Por vezes encontramos "nascidos de novo" com cinco ou mais anos, que estão envolvidos nos "trabalhos da Igreja" e que se esforçam para dar o seu melhor. No entanto ainda não conseguiram adquirir os novos valores de "novas criaturas".Este fenómeno é muitas vezes explicado pela falta de entrega total a Deus. Em nenhum momento da sua vida fizeram uma aliança com Deus em que Lhe tenham dito:

Eu quero estar em Tuas mãos, para que Tu operes em mim, por mim e para que Tu me guies no Teu caminho.

Somente na medida que permitirmos que Ele trabalhe em nós é que estamos aptos para trabalhar para Ele. Somente na medida em que formos guiados por Ele é que podemos ser usados por Ele.

O tema da consagração é o tema favorito de muitos pregadores. Mas muitas vezes a ênfase está no homem a oferecer-se a Deus para o ministério – e isso não é totalmente correcto.


1 – A base da consagração

Quando alguma coisa importante é feita por Deus ou pelo homem, a base de tal acto precisa de estar clara. Se Deus exige que nos entreguemos a Ele em que Ele baseia tal exigência? A Bíblia mostra que a questão da consagração é fixado no aspecto da compra. "Não sois de vós mesmos", diz a Palavra, "porque fostes comprados por preço. Agora pois glorificai a Deus no vosso corpo". E em outro lugar se diz: "Porque se vivemos para o Senhor vivemos, se morrermos para o Senhor morremos. Quer pois vivamos ou morramos, somos do Senhor" (Romanos 14:8) A Bíblia diz também que somos "escravos" de Deus. Um escravo é aquele sobre quem o seu senhor tem todos os direitos por tê-lo comprado. O termo "escravo" não é muito agradável, mas todos os que temos experimentado a graça do Senhor, conhecemos a doçura de sermos Seus escravos.

O Senhor comprou-nos por um preço altíssimo e agora nenhum de nós tem direito sobre si mesmo. A autoridade sobre as nossas vidas foi entregue em Suas mãos pelo direito da compra.

Agora no que diz respeito a nós, desde que fomos comprados por Ele, se não nos entregarmos a Ele, estamos a agir como escravos foragidos. Somos como Onésimo (ver Filemon).

A base da verdadeira consagração é de ordem legal. Não é baseada em constrangimento de amor como muitos cristãos pensam. Eles entregam-se ou não a Deus na proporção que sentem ou deixam de sentir o Seu amor. Mas na consagração de Deus, a nossa consagração não é uma questão opcional. Fomos comprados como Seus escravos, e quer gostemos ou não, pertencemos a Deus.


2 – A Força que gera a Consagração

Já dissemos que o amor não é a base da consagração, toDavida o amor é a força que a gera. Existiam escravos que percebiam que a autoridade sobre a sua vida estava na mão dos seus senhores, e cerravam os dentes com amargura de alma com o propósito de servi-los. Mas talvez você se lembre do que é dito em Êxodo 21 sobre o escravo que no final de seis anos de serviço, podendo ser um homem livre, declarou: "Eu amo o meu senhor, não quero sair livre." Em consequência disso, o seu senhor o faria chegar à porta e lhe furaria a orelha. Submetendo-se a isso, o escravo na realidade queria dizer: "Por amor a meu senhor, eu quero ser seu escravo para sempre." Esta é a verdadeira consagração!

Consagração tem uma base; consagração também tem uma força geradora: a base é a redenção, e a força geradora é o Seu amor. Há um versículo que diz: "Rogo-vos pois irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus" (Romanos 12:1). E um outro que diz: "O amor de Cristo nos constrange." Mas porque devemos render-nos ao constrangimento do amor? Porque Um morreu por todos, logo todos morreram. E Ele morreu por todos para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (II Coríntios 5:14-15). Todos os que têm uma verdadeira experiência de consagração, têm no mínimo, senão talvez muitas vezes, conhecido o toque do amor de Deus. Sem este toque do Seu amor em nós, a consagração é uma coisa amarga. Ninguém precisa suplicar a alguém que já conhece o amor de Deus, para que ela se entregue a Ele. A entrega é espontânea.


3 – Significado da consagração

Mas afinal qual é o significado da consagração? A Bíblia apresenta-nos uma resposta clara: "Apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo". Quando nos consagramos, isso não significa que nos tornamos pregadores ou pessoas que viçam a trabalhar a tempo integral na obra de Deus, significa sim que nos tornamos um sacrifício. O sacrifício aqui mencionado pelo apóstolo é a oferta queimada que era oferecida como aroma suave para Deus. Era o Seu alimento.

Que é alimento? Alimento humano é aquilo que satisfaz o homem; alimento de Deus é aquilo que satisfaz a Deus. Mas que era essa oferta queimada? O Velho Testamento explica claramente. Precisava de ser um boi que normalmente lavrava o campo ou puxava um carro, mas um dia esse boi era transferido da sua actividade original para um ambiente totalmente diferente. Ele era morto, esfolado, lavado, cortado em pedaços, colocado no altar, e se fosse aceite por Deus, um fogo o consumiria até se transformar em cinzas. Cinzas – esta é a última coisa a que qualquer coisa pode ser reduzida, é o fim de tudo. Mas repare que era quando o boi estava completamente reduzido a cinzas no altar, que ele subia até Deus como aroma suave e dava satisfação ao Seu coração.

Examine a história da Igreja e veja quantos há que antes de experimentarem o impacto do amor de Deus, eram como poderosos bois lá fora no mundo, lavrando grandes campos ou puxando grandes carros, mas quando o amor de Deus caiu sobre eles, num instante eles estavam no altar, enquanto que muitos dos seus amigos e familiares lamentavam semelhante "perda". Muitas pessoas com grandes talentos e brilhantes perspectivas têm-se "destruído" no altar de Deus. Para quê? Para dar alimento a Deus, para dar satisfação ao Seu coração.


4 – O Propósito da consagração

Todas as vezes que uma verdadeira consagração é feita ao Senhor, o Seu propósito evidencia-se na vida consagrada a Ele. Aquela vida torna-se activa para Deus. O facto de sermos alguém para Deus, é baseado na oferta de nós mesmos para Ele. Somente aqueles que têm sido reduzidos a nada no altar, podem servi-Lo agradavelmente.


5 – O resultado da consagração

Deixe-me dizer-lhes que o resultado da consagração é que todos os nossos planos são cortados. A verdadeira consagração não só acaba com todos os planos do mundo, mas também acaba com todos os planos cristãos. A consagração será posta à prova pelo mundo cristão e pelo mundo não-cristão. Amados e amadas no Senhor, desejo que se tornem homens e mulheres verdadeiramente úteis nas mãos do Senhor, mas permitam que os alerte para uma grande armadilha que está à frente – a armadilha da fama no mundo cristão.

Examinem-se nestes cinco aspectos e vejam onde ficam na questão da consagração. Espero que sejam fieis para examinar as escrituras, nas quais esta exposição é baseada. No caso de estarem em falta em algum aspecto, podem confiar na graça do Senhor para suprir o que falta.

UM ESPELHO CHAMADO "CRISTÃO"

Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.

II Coríntios 3:18


O reflexo da glória de Deus.

Uma das maiores verdades deste texto bíblico é esta:


"SOMOS ESPELHOS QUE DEUS USA"


Enquanto caminhamos, o mundo ao nosso redor espera ver, em nós, a transformação que só o Espírito Santo faz na vida de um pecador arrependido. Observando um espelho, relembramos alguns cuidados necessários essenciais para que sejamos usados pelo Senhor, refletindo Sua glória no mundo.


1. Para refletir como espelho a Glória de Cristo, é preciso ter o rosto descoberto
Assim como um espelho deve estar descoberto para refletir a imagem de determinado objeto, nós também necessitamos de que nada se interponha entre nós e o nosso Deus. O véu que separava o homem de Deus foi rasgado por ocasião da morte de Jesus na cruz. Este gesto, sem par, possibilitou que a glória do Senhor rebrilhasse em nossa vida. O acesso que temos à sua presença foi garantido pela morte e ressurreição de Cristo. Vamos desfrutar, portanto, dessa comunhão.


2. Para refletir como espelho a Glória de Cristo, é preciso estar limpo
Muitas vezes, a imagem refletida no espelho não é nítida, não tem brilho. Pequenas manchas internas, ou até mesmo poeira, dificultam a nossa visão.Assim também, os nossos pecados encobrem o rosto do nosso Deus e as nossas iniqüidades nos separam do Senhor (Isaías 59:2). Se desejamos refletir a sua glória com todo o brilho e perfeição, busquemos diariamente purificar as nossas vidas, confessando "os nossos pecados, na certeza de que Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de toda e qualquer injustiça" (110 1:9).


3. Para refletir como espelho a Glória de Cristo, é preciso estar bem direcionado
Mesmo descoberto e limpo, o espelho só é capaz de refletir o objeto para o qual se direciona. O cristão que não está em sintonia com o Senhor, corre o risco de refletir outras imagens. Ao direcionar o nosso olhar para o "autor e consumador de nossa fé", passamos a refletir cada vez mais a sua glória, através de nossas vidas. E assim, de glória em glória, somos transformados e Sua luz se revela em nossa vida. Quanto mais ela rebrilhar, mais Cristo será visto em nós.

Conclusão

Como espelho de Cristo eu devo:

1 - Reconhecer minhas fraquezas - Salmo 139:23 e 24.
2 - Obedecer ao plano de Deus para minha vida - Salmo 40:8.
3 - Confiar no poder de Deus e não em minhas forças - Filipenses 4: 13.

Que imagens as pessoas têm visto refletidas em minha vida?
Existe alguma área que necessita de transformação por meio do Espírito Santo?